sábado, 23 de novembro de 2013

Assembleia Municipal de 18.11.2013 - IMI

Embora todas as posições justifiquem uma explicação, um “prestar de contas” a quem, como eleito, se representa, esta votação do IMI para 2014 tem particularidades que fazem com se explicite melhor o nosso voto de abstenção.
1.     O que foi presente aos membros da AM foi uma certidão da reunião da Câmara, em que havia uma proposta e duas declarações de voto:
a.     A proposta, aprovada por maioria (3 PS + 1MOVE) fixava as seguintes taxas a praticar na cobrança do IMI em 2014:
0,375% sobre prédios urbanos avaliados nos termos do CIMI
0,7% para os restantes prédios urbanos
0,8% para os prédios rústicos
b.      A declaração do voto dos vereadores PSD, depois de considerandos, propunha:
0,35% sobre prédios urbanos avaliados nos termos do CIMI
0,7% para os restantes prédios urbanos
0,8% para os prédios rústicos
e que se isentasse de pagamento de IMI os imóveis das Associações com o estatuto de utilidade pública
c.      A declaração de voto do vereador eleito pelo MOVE:
justificando o seu voto a favor da proposta dos vereadores do PS com base em informações prestadas pelo Chefe de Divisão de Gestão Financeira.
2.   Face à composição da assembleia, confirmados 15 membros num grupo PS, 13 num grupo PSD, 3 num grupo CDS, 2 num grupo MOVE e 1 num grupo Por Ourém (CDU), não havendo propostas em alternativa à única apresentada pelo executivo, e depois das tomadas de posição de cada grupo, pareceu evidente que a votação seria 17 (15PS + 2MOVE) e 16 (13PSD + 3 CDS) pelo que o voto Por Ourém seria despiciendo uma vez que ainda que – em hipótese – o voto fosse contra daria empate com voto de desempate da presidente a favor, pelo nem sequer se colocou alternativa para a abstenção face à deficiente informação e à não entrada em cálculos e "jogos".
3.     Foi com alguma surpresa que, na votação, faltou um membro do grupo PS (e logo o seu presidente), sem ter avisado a mesa e restantes membros, pelo que a contagem dos votos deu empate a 16, além de uma abstenção.
4.     Para que fique tudo claro, se o eleito Por Ourém tivesse votado contra, dado não haver proposta alternativa a proposta teria sido rejeitada, do que resultaria a manutenção das taxas vigentes, iguais às que foram propostas!, embora viesse a ser necessária uma outra reunião  da Assembleia Municipal.
5.    De qualquer modo, há que sublinhar que o aumento da receita do IMI originada pela reavaliação dos prédios não pode ser canalizado para satisfazer novos compromissos já que o mesmo é obrigatoriamente utilizado na capitalização do FAM (Fundo de Apoio Municipal), na redução dos pagamentos em atraso, na redução da dívida à banca, na capitalização do FIM (Fundo de Investimento Municipal).

Asembleia Municipal, de 18.11.2013

Intervenções e declarações de voto para a acta do eleito nas listas da CDU:

01 – Apreciação das actas
O membro do Grupo Por Ourém chamou a atenção para a necessidade da acta 04/2013 referir que o não cumprimento da ordem de trabalhos resultou de decisão da própria assembleia após parecer jurídico.

03.03 – Declaração de voto: “A abstenção de Por Ourém  justifica-se não por questões formais (a ter de serem tidas em atenção na elaboração das certidões do executivo) mas por o problema de fundo remeter para uma certa metodologia de parcerias público-privadas que se considera negativa para o interesse público”.

03.04 – Declaração de voto: “Não se quis quebrar a unanimidade sobre esta matéria mas Por Ourém tem reservas quanto à circunstância de se poder estar a abusar do uso do ajuste directo”.

03.06 a 03.09 – Declaração de voto conjunta pata estes pontos da O.T.: “Quanto às isenções de taxas, Por Ourém anota a falta de fundamentação e a utilização das autorizações como um mero pró-forma homologatório muitas vezes anacrónico”.

03.11 – Intervenção: Por Ourém considera deverem ser tidas em atenção as opções pessoais quanto aos beneficiários das apólices”.

03.12 – Intervenção: “Discutir a derrama nas condições da economia portuguesa é como estar num mundo de ficção. Não é por via de isenções das taxas de derrama que se mobiliza investimento quando o financiamento da economia está sujeito a um garrote e há urgente necessidade de mudar de política, particularmente quando se diminui o mercado interno ao atacar os rendimentos do trabalho e as pensões”.
Declaração de voto: “A abstenção de Por Ourém significa um voto que pretende traduzir a inutilidade destas medidas mais percentagem menos percentagem ou pormilagem”.

03.14 – Declaração de voto: “Com este voto, apenas se deseja sublinhar que se imporia o cuidado noutros níveis, para que tal taxa municipal sobre direitos de passagem não venham a ser facturadas aos utilizadores, pois tal corresponderia a mais um imposto para os mesmos de sempre.”

03.16 – Intervenção: “Tal como em relação à derrama, este imposto municipal tem de ser considerado no contexto global. Por outro lado, é um facto que a recente valorização dos imóveis veio sobrecarregar os respectivos proprietários e aumentar as receitas, mas tal não é ainda quantificável. Por Ourém lamenta não dispor das informações de ordem técnica que levaram o vereador Frazão a mudar de opinião no executivo. Mais uma vez é escassa a informação ao órgão deliberativo. E é relevante a informação do Presidente da Câmara de que há centenas de milhões de património pertença de uma instituição que estão isentos, o que muito prejudica este município”.
Declaração de voto: “Pelas razões expostas na intervenção, Por Ourém abstém-se querendo assim sublinhar a deficiente informação que impede um voto fundamentado, embora tivesse considerado votar contra, o que não fez por os grupos que votaram contra não terem apresentado alternativa fundamentada”.

3.17 – Intervenção: Por Ourém votará a favor por uma questão de eficácia de funcionamento mas chama a atenção para o ponto 3 da deliberação do executivo que o compromete a apresentar informação em cada sessão ordinária desta assembleia com a lista dos compromissos assumidos”.

3.18 – Intervenção: Por Ourém lembra que em sessão homóloga de há um ano se tratou de igual matéria com a deliberação de se proceder a um inventário, o que não aconteceu, vindo agora repetir-se a decisão mas sem esse inventário feito ou para ser feito”.

3.20 – Intervenção: “Este caso da Rua da Murteira dir-se-ia escandaloso. A informação do senhor Presidente da Câmara é correcta mas incompleta e permito-me juntar mais informação. O problema não começa em 2005. Trata-se de uma secular serventia que se tornou em caminho público e depois em rua, com toponímia e luz eléctrica pública, que foi então (digamos) privatizada de facto e ilegal e ilegitimamente, o que levantou protestos e manifestações da população, com acções junto da Junta e Assembleia de Freguesia e da Câmara, o que levou a que o executivo abatesse os muros e outros obstáculos levantados ao acesso à rua. O proprietário das propriedades marginais à rua e que privatizara esta, meteu a Câmara em tribunal e ganhou processo em primeira instância, não tendo sido ouvidas pelo menos alguns testemunhos eventualmente relevantes. A Câmara recorreu, por um seu advogado avençado, para a Relação, em Coimbra, e esse recurso foi, pelo menos que se pode dizer, canhestro. Daqui resultou um acórdão que de novo deu razão ao proprietário privatizador e o mesmo advogado deixou passar prazos sem recorrer, informando incorrecta e deficientemente o seu cliente Câmara. Agora… que fazer quando a população se sente esbulhada de um direito ancestral? O executivo já falou em expropriação, o caso anda na comunicação social, havendo a possibilidade de uma acção popular (a exemplo dos fornos de carvão do Vale da Perra), desde que houvesse condições para isso. Parece-me ser este o ponto da situação”.


3.21 – Intervenção: Por Ourém quer que fique muito claro que não tem nada contra investimento e actividade económica privada. Pelo contrário. O que se tem de se exigir é que se cumpram regras e leis. Não foi um bom princípio a primeira fase do empreendimento a concretizar, e há um problema de desmatação que está em aberto. O argumento da captação de investimento e da criação de postos de trabalho bem como o da concorrência entre municípios não pode sobrepor-se ao interesse geral, ao respeito pelo ambiente, ao bem-estar das populações.” 

domingo, 17 de novembro de 2013

AM de 18.11.2013 - informação prévia

Realiza-se 2ª feira a sessão da Assembleia Municipal, convocada por edital afixado nos "lugares de estilo".










(clicar sobre as imagens para poder ler)










Aos muitas outros pontos (como a derrama, o IMI, a taxa municipal sobre os direitos de passagem, o habitual empréstimo de curto prazo e muitos outros - serão 35!) que vinham propostos, acrescentaram-se 3 na "reunião de líderes" de 11.11.2013 (que não teve, inexplicavelmente, a presença de representante do PS), por proposta do eleito da CDU, 
o ponto  03.01, para a formalização dos grupos municipais e respectivos líderes (que deverão ser 5: PS, PSD, CDS, MOVE e PorOurém-CDU) 
e os pontos  


Ainda se chama a atenção para o ponto 03.35:

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

publicado no Notícias de Ourém:

COISAS CÁ DA TERRA

PONTOS EM ALGUNS III

Percorre infrene a comunicação social oureense uma desvairada ventania soprada por mentes que parece, face aos resultados eleitorais e suas consequências, terem perdido a razão. Cuja, nalguns casos, até teriam.
Sinto necessidade de colocar pontos onde os iii os devem ter pois parecem !!!, ou seja, estão virados de pernas para o ar.
i)                    Na tomada de posse, entendeu a presidente cessante da AM agradecer a boa colaboração que teve durante o mandato, e referiu-se em particular aos “lideres das bancadas” e quis, destes – a título de exemplo, acho eu… – referir-se à mim em ainda mais particular. O que foi ela fazer! Além do agradecimento público a que fui obrigado, meio encabulado, já tive a oportunidade de lhe agradecer pessoalmente, e de lhe dizer da inoportunidade (nas condições de aproveitamento “político” em que vivemos) de tal elogio.
ii)                  Diz um jornal que o resultado da votação foi de 17 votos do PS contra 16 do PSD e uma abstenção da CDU, logo minha. Quem lho disse? Dos 5 grupos formados, sob a presidência do primeiro eleito da lista mais votada na instalação, dois apresentaram listas, o PS e o PSD, e três não o fizeram, CDS, MOVE e CDU, e a votação foi secreta. Tudo como manda a lei. Querem falar do meu voto? Só eu e o colectivo a que pertenço o conhece Tivesse-se votado como defendemos, de braço no ar e cara-a-cara, e seria conhecido. A transparência na política é só para o que nos convém?, apenas serve para mostrar o que não se quer esconder, e para possibilitar todas as suposições, suspeitas e “jogos de bastidor”?
iii)                Invoca-se, capciosamente o “voto popular” e dizem-se coisas futebolísticas como “ganhar na secretaria” ou à custa do árbitro… que neste caso, teria sido eu. Fique esclarecido, para quem quiser, que se elegem deputados e não presidentes de assembleia. Já fui de três assembleias – Municipal, da República e do Parlamento Europeu – e em todas foi assim. E não se atire com a poeira de uma lei 75/2013 (para o caso, ainda não vigor) onde não encontro regras que outros terão descoberto com a lupa de juristas encartados. Recordem-se dois casos: Nobre na AR e, aqui, a candidatura de Gameiro na AM em 2009 quando não era cabeça de lista da lista do PS.
iv)                Ponha-se um ponto no i de independência. Apenas acrescento, ao que o Luis Neves tão acertadamente (e coloridamente) já escreveu, uma definição conceptual que retiro de Fidel Castro, quando presidente da VII Cimeira dos Países não-alinhados (de 1983!): não há independências, somos todos cada vez mais interdependentes, a questão é a assimetria, é a desigualdade nas interdependências. E sublinho o insólito da afirmação de independência do MOVE quando se revelava toda a sua negociada (inter)dependência assimétrica.
E acabaria, para que tudo fique mais claro, com uma última e transparente declaração a propósito deste empolado caso da eleição da mesa da AM de Ourém. Se ninguém, até este artigo, tinha o direito de dizer como votou o eleito da CDU, pelo que só abusivamente se poderia falar de tal voto, fique-se agora a saber que foi abstenção, e que o foi imune a negociações conhecidas e não conhecidas, a influências e pressões, algumas bem espúrias e que o agrediram porque agrediram a ética, a democracia e… a sua sensibilidade.

Bem ou mal, votei de acordo com a minha (in)formação e consciência. Quero estar convicto que os outros 33 membros da AM, no secreto da sua decisão, o teriam feito do mesmo modo. E nada me apela a fazer suposições, levantar suspeitas ou especular com os votos dos outros.
Como, em democracia representativa, se diz nas assembleias de representantes do povo: Tenho dito!

Sérgio Ribeiro