domingo, 21 de agosto de 2016

Morreu Paulo Santos (o Paulito)


“…
- … eh!, pá… ‘pera aí, porque é que eu não sou do Partido?...
- … sei lá… tu é que sabes…
- … mas nunca me disseste nada…
- … tu é que tens de dizer, tem de ser a tua vontade. Toma lá os estatutos e o programa, e qualquer dia pergunto-te se queres ser!”

E voltaram os dois à conversa sobre o teatro e os projectos em cena e a encenar porque, com ele, só de teatro se falava. Para ele, a vida, o mundo, a política pelo meio do teatro. Com o outro, a puxar para o Brecht, para o teatro épico, sempre a procurar as pontes para a vida, o mundo, a política.
Por isso:
“…
- … então… queres entrar?
- Quero, camarada!
- Porreiro, camarada,… depois falamos de pormenores…”

E voltaram à peça em encenação, aos problemas, às dificuldades.
Há escassas semanas, nem um mês fez, num desastre brutal, o Paulito morreu. O amigo, o companheiro que nunca recusava fazer parte da lista da CDU, que não faltava a uma Festa do avante!, o camarada que já fora a algumas reuniões partidárias.
Como se sente a sua falta! Um vazio. Frio. Gélido.  
Por incúria nossa, o avante! não o referiu entre os camaradas que faleceram, mas muitos o lembrarão na Festa em que ele não estará.


Dele se falará mais. Aqui e não só!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

FESTA - 2016 - lembrando









A melhor foi a do ano passado...
A deste ano,
de 2016
- a 40ª! -, 
será ainda
melhor
e


MAIOR!


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sábado, 2 de julho de 2016

Reunião AM de 29.06.2016 - Duas intervenções

01.03.

Intervenção:

Cumprimento e congratulo-me com a comunicação escrita do senhor Presidente da Câmara. Pela sua extensão, que permitiu a leitura, pelas festividades do dia do concelho.

Aceito e respeito a centralidade que é dada a Fátima e aos acontecimentos de 1917 e suas comemorações. No entanto, bem me parece que que igual respeito não estarão a merecer todos aqueles que não são crentes, aliás direito constitucional num Estado laico, ou até os que, professando a religião católica, inclusivé seus ministros, têm dúvidas e reservas relativamente ao que se festeja.
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01.04

Intervenção:
(no tempo atribuído a declaração política)

Senhora Presidente da Assembleia, Senhor Presidente da Câmara e vereadores, comunicação social e público presentes,
Caros co-membros desta Assembleia Municipal

Perdoar-me-ão se as minhas palavras vos levarem a descortinar algum menosprezo por este órgão e pelos seus membros, o que seria absolutamente contrário ao meu juízo e conceito de democracia. Nesse juízo e conceito, bem mais relevante é um órgão que resulta da escolha dos cidadãos vizinhos e compõe o Poder Local, que discute o saneamento básico e o muro, que uma qualquer comissão dita europeia que, ao toque de caixa dos mercados e das agências do capital financeiro transnacional e rating mais parece um colégio de frustrados mestres-escolas que ameaçam com palmatoadas os meninos que, cumprindo escrupulosamente as suas más lições e indo além das instruções, não tiveram resultados que eles considerem suficientemente satisfatórios. Mas só os da fila de trás (ou lá do sul)… porque a França é a  França!

O facto é que face ao que se passa na dita União Europeia, e da importância que isso tem para todos nós, para o nosso saneamento básico, para o muro do vizinho, a minha sanidade básica e a minha pessoal informação técnico-profissional, que há 60 anos se alimenta de integração europeia, me obriga a dizer o que poderá parecer deslocado em órgão democrático.

O não do referendo do Reino Unido à União Europeia não foi um não à Europa, pois espaços-nações do Reino Unido continuam todos no continente Europa apesar de se terem tornado numa real jangada de pedra, como escreveria o nosso, e por isso europeu, Prémio Nobel José Saramago.
Foi uma maneira de sair de quem nunca entrou na construção em que sempre esteve em opting out (isto é, optando por ficar de fora), e se juntou a outros nãos – um dos noruegueses em 1972 e, na década de 90, outros nãos dos mesmos noruegueses, dos dinamarqueses, dos suecos (à União Económica e Monetária), dos franceses, dos holandeses, nãos sempre ultrapassados com artes e manhas, sempre adiando o que agora parece (repito: parece!) não ter alternativa: o não dos povos e o desmantelar desta União Europeia, na sua configuração e projecto.

E nós, os cá do Sul? Nós, depois da reverente gratidão por nos terem destruído a economia produtiva – a pesca, a agricultura, os portos e estaleiros – por troca de efémeras e endividadas quimeras que bem caras temos que ir pagando mantendo-nos endividados, iludidos e migrantes, enredados num sistema monetário-bancário fraudulento. Nós? Basta de submmissão!
Tudo isto previsto e prevenido e sem remédio se remediado não for. Não!, não vos digo mais mas isto tinha de dizer neste mês de Junho de 2016, que não foi surpresa.

E regressando à terra, à nossa terrinha, só mais uma advertência, um exemplo de malfeitorias no Poder Local:
impuseram-nos outras uniões, uniões de freguesias, sem que os cidadãos tivessem realmente sido ouvidos para os apressados e atamancados arranjos. Em vários espaços do nosso País isso está a ser revisto e corrigido. E aqui?

FESTA - 2016









A melhor foi a do ano passado...
A deste ano,
de 2016
- a 40ª! -, 
será ainda
melhor
e


MAIOR!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Xª Assembleia da ORSA



INTERVENÇÃO de Sérgio Ribeiro
pela CONCELHIA DE OURÉM

Temos, cada militante e sua consciência de classe, a responsabilidade de viver estes momentos históricos. No Mundo, nesta coisa chamada União Europeia, em Portugal, em Santarém, em Ourém.

No Partido, a preparar um congresso exemplarmente democrático, nas assembleias de organização regional.
Sendo comunistas portugueses, somos solidários com o que se passa no mundo, em Espanha, França, Grécia, Brasil, África, Ásia. Num mundo de capitalismo no estertor, somos solidários a forjar correlações de forças que evitem dramas ou até tragédias.
A prática revolucionária vive da acção de cada um, da organização, da base teórica aberta e formadora. Sempre a aprender. Os documentos distribuídos para reflexão e contributo ensinam-nos os limites do quadro político e a necessidade de continuar a luta.
Desde o 1º Governo Constitucional, o PCP foi centrifugado da governação, e nunca deixou de estar e de lutar na AR, no PE, no Poder Local, de intervir e organizar no plano participativo, das massas, do sindicalismo de classe, do associativismo popular.
As eleições de Outubro, reflectindo tal presença e resistência, criaram condições para travar essa continuidade com 40 anos.
E não foi do nosso secretário-geral a primeira palavra que, após o voto, rompeu a alternância no quadro fechado do “arco da governação”?
É importante o que se tem conseguido…, mas sem responsabilidades no executivos, sem partilhar compromissos. Que combatemos. Como partido que tomou partido de classe,
Temos de insistir no ataque às ilusões. De afirmar os limites da actual situação. 

A economia mostra como este ciclo de desastre acelerou abandono de recursos, enviesou perversos aproveitamentos de potencialidades.
Como está a agricultura?,
que foi feito da indústria?,
quantas empresas se arruinaram?,
quantos empregos se destruíram?
E como se agridem direitos constitucionais?,
como se lucra com a doença destruindo o SNS,
como se subsidia o ensino privado em feroz combate à educação pública?,
como se privatiza tudo, em obscenos enriquecimentos?
Também!, como o Partido resistiu sempre.
Como lutou sempre, como está sempre presente, a denunciar e mobilizar.

Em Ourém, com as nossas forças e condições.
Há que falar deste concelho, 2º em população no distrito e que lhe parece estranho (a ganhar ao Entroncamento em fenómenos, milagres e euromilhões).
Há que falar da emigração que, de novo, o sangra (e ao nosso colectivo!) e nos envelhece;
da invasão predadora das grandes superfícies e das culturas de resistência e sobrevivência e dos mercados informais;
do recuo que esvazia dependências banco-especulativas que tantas ilusões criaram e povoaram o concelho de ruínas com alicerces de crédito e endividamento;
do turismo que, com especificidade religiosa, tem enorme relevância e deve alargar-se à vertente histórico/patrimonial.
Há que falar do ano que se aproxima. De autárquicas e centenários, que 2017 trará.
Da revolução soviética
e das chamadas aparições de Fátima.
De que há que falar na concelhia e em toda a organização.
Na nossa região será um facto social exorbitante.
Temos de nos preparar para o que aí vem – e que já aí está!

Pouco fizemos, nestes 4 anos!
nas autárquicas, nas legislativas, nas ditas europeias, na luta de massas.
Foi o que conseguimos,
auto-críticos por tão pouco ter sido, exigindo-nos que mais e melhor seja.
Aproveitemos o estímulo de ter acabado de cumprir, com folga, a meta da campanha “terreno para a Festa”.

 Foram estas, mais uma menos outra, as palavras que a concelhia me deu a tarefa de dizer em sua representação.
Há 4 anos, cumpri a mesma tarefa, em Alpiarça.
Há 8 anos o fiz, e algumas vezes antes o terei feito.
Esta será, provavelmente, a última. Por isso, com militante responsabilidade, me permito acrescentar umas referências concretas que se incluíram em anos de muitas dificuldades:
  • à iniciativa central da unidade com católicos, que acolhemos em Fátima, de grande significado – que não se repetiu nas presidenciais –,
  • aos jornais que editámos como material para as autárquicas e europeias,
  • a uma sessão sobre a moeda única (e muito me congratulo com a decisão da campanha central de não submissão ao euro), 
  • ao pesar por não ter sido aproveitada, aqui, uma voz do distrito, do oureense que teve a honra de ler a declaração de voto do PCP, há 20 anos, no PE,
  • às visitas do deputado por Santarém a Boleiros, pelo IC9, pela nossa saúde, 
  • à presença na AM, cumprida por três de nós, com prestação de contas em blog, 
  • à iniciativa de sessões de cinema que fez vivo e frequentado o CdeT dezenas de vezes
  • ... e mais… a tanto que continuou a luta.

 Esta será, muito provavelmente, a minha última intervenção na ORSA por Ourém
Até amanhã, camaradas
a luta continua

VIVA O PCP!

sábado, 7 de maio de 2016

Assembleia Municipal de 29 de Abril de 2016 - prestação de contas

REUNIÃO  DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE 29.04.2016
CDU/Por OURÉM – João Filipe Oliveira

Exma. Senhora presidente, minhas senhoras e meus senhores,
Regresso transitoriamente a esta assembleia, passada mais de uma década. Muita coisa mudou desde então: pessoas e espaços desta assembleia, o mundo e eu mesmo. Completou-se neste período a presidência de Durão Barroso na Comissão Europeia, e temos agora uma Europa menos solidária, e distante dos ideais fundadores. A braços ainda com a crise económica, em que os mais frágeis são sempre os mais sacrificados; a braços com uma crise de refugiados, com o acordo de deportação para a Turquia que nos envergonha. Passaram os governos de Sócrates e de Passos Coelho, a intervenção da Troika, e ficámos com um país mais desigual, um país que impõe sacrifícios duros ao mesmo tempo que cria oportunidades para uns poucos colocarem em offshores para cima de 10.000 milhões de euros, como ficámos a saber esta semana. Tudo negociado em segredo, sem o povo e contra o povo. E, enfim, um mundo em que um grupo de gente pouco recomendável vai tomando conta da democracia, como se vê no Brasil, onde os acusados de corrupção se tornaram os julgadores a tentar um golpe de estado, dentro dos formalismos da democracia, mas sem lhe respeitar o espírito.

Tudo isto me deixa pessimista.

Por cá, chamado que fui a analisar o relatório de contas, consultei os índices e deparei-me com cerca de 1.500 páginas: tarefa muito para além da minha capacidade humana. Ficaria espantado se a maioria dos membros desta assembleia a considerasse acessível e razoável. Há mais de uma década, quando os documentos pouco passavam da centena de páginas, era uma tarefa árdua, mas possível. Agora não. E dei comigo a pensar onde está a linha que separa a democracia real e possível da democracia irreal e fantasiosa.  Analisar e votar os relatório de contas é formalmente um ato democrático, mas se o documento é um labirinto incompreensível ou uma muralha intransponível, eu pergunto que voto poderá ser o meu, de que forma posso representar com honestidade o povo que elegeu. E pergunto se o sentido de democracia ainda ali está, ou se tudo se vai tornando, também aqui, um pró-forma, cozinhado e decidido nas costas do povo.

Democracia é o governo do povo para o povo. Mas o que vamos vendo é que o povo é cada vez mais o que menos conta. Governam os tecnocratas; e o povo, para não parecer ignorante, finge que concorda e afasta-se. E tudo isto contribui para que também eu já não olhe para a política com o mesmo entusiasmo de há uns anos atrás. Mudou o mundo e mudei eu também.

Sobre o ensino privado em Fátima, duas notas:

1. Reconhecer o valor e interesse do serviço prestado; 2. Ao contrário do que se quer dar aqui a entender, não é do meu conhecimento que se pretendam cessar os contratos onde não há oferta pública, mas sim impedir a duplicação de financiamento no mesmo espaço geográfico. No caso de Fátima, sem oferta pública, só poderá vir a diminuir o número de alunos captados nas áreas de influência de escolas públicas, como é o caso em Santa Catarina da Serra, mas também captados no resto do concelho de Ourém.






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Declaração de voto às moções do PSD e do CDS sobre o apoio ao ensino privado de Fátima (e à apregoada "liberdade de escolha") - abstenção:

Sem desprimor para a grande importância dos Colégios de Fátima, não posso ao mesmo tempo esquecer que todos os anos, na transição do 1.º para o 2.º ciclo, as escolas de Ourém perdem turmas para as escolas de Fátima. As escolas de Fátima prestam um serviço útil, mas também marginalmente representam duplicação de financiamento, quando os alunos são captados fora da sua área geográfica. E essa duplicação de custos não pode continuar a ser suportada pelas contas públicas.






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Declaração de voto sobre o Relatório de Contas:


Se fosse pela capacidade de síntese (do Dr. Fernando Marques), ao apresentar em alguns minutos o resumo das cerca de 1.500 páginas, mereceria o meu voto favorável. Como, no entanto, o documento está muito para além da minha capacidade de análise, abstenho-me.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Prestação de contas de participação na Assembleia Municipal de 23.12.2015

01.04
Declaraçao política
Cumprimentos protocolares

Caros concidadãos,
Da sessão desta Assembleia de 28 de Setembro para a de hoje, em Portugal e no Mundo ocorreram factos e mudanças que alteraram situações e perspectivas.
Nesta curtíssima declaração política não posso anotar mais que um apontamento que se deve registar num órgão político como este é. A tragédia de Paris exige referência pelo horror (diria) “à porta de casa” dada a proximidade física e cultural, e tantos serem os nossos compatriotas e conterrâneos que ali vivem. Foi o crime sem nome, foi o horror, que marcam o ambiente em que vivemos desde há duas semanas, em que politicamente se dramatiza e especula, colocando dilemas como democracia ou segurança, alterando o xadrez internacional. Mas, por outro lado, exige-se que se vejam os antecedentes, a criação de “monstros” que, sem surpresa ou até com cálculo, parecem atacar os seus criadores. O dito Estado Islâmico não pode ser separado do que o criou, da intervenção ocidental directa e indirecta, da intenção de controlar recursos e gentes, com todos os riscos e perigos agravados. Do amarelo fixo, a situação internacional arrisca-se a passar ao vermelho de perigo de guerra global. Esperemos que não. Como cidadãos, lutemos para que não!
Este é um tempo de mudança!
A mudança verificada em Portugal neste intervalo alterou os nossos temas quotidianos. Em vez de lamentos pela situação social, começou a discutir-se política! Os resultados das legislativas alteraram o status político com há quase 40 anos, de alternância dentro do “centro-direita”, para uma alternativa “centro” com apoio parlamentar da “esquerda” . Com veemência, recuso o espantalho da “extrema-esquerda”, quando o perigo é de “extrema direita”, de fascismo – na Europa, no Mundo –, de que se conhece, aqui em casa (e alguns de nós na carne), meio século de experiência.
As eleições de 4 de Outubro, pelos resultados que tiveram e sequente evolução política, entre muito, vieram dar-nos duas lições, de que é urgente TODOS tomarmos consciência:
·        que as eleições legislativas são para eleger deputados que vão formar a “Casa da Democracia”, ou seja, a Assembleia da República, e não para primeiro-ministros;
·        que, sendo todos iguais como concidadãos, todos os votos são igualmente úteis!
Assim se aprende democracia e congratulo-me, como estudante caloiro de ciência política na “Universidade da Cidadania”, de estar a viver esta aula prática.

Outras eleições se aproximam. Apesar da distorção das campanhas, que adultera a informação dos cidadãos, que deveria ser equilibrada e equitativa, temos de ser nós, nós os eleitos, nomeadamente os presidentes de junta, a assegurar o cumprimento das regras democráticas. Assim não acontece em muito lado, e assim não aconteceu em Fátima, durante a campanha e, sobretudo, quando o mandatário concelhio da CDU foi impedido de cumprir o que, democraticamente, era seu direito e dever. Não se quer especular com o incidente, mas não deixaremos de o levar até às últimas consequências que a lei permita para que todos sem excepção, e particularmente os que têm responsabilidades democráticas por representarem os cidadãos, não o esqueçam ou não tenham de ser lembrados.

Em aditamento, quero dar uma informação pessoal a esta Assembleia:
A minha habitual e terapêutica viagem a Cabo Verde este ano passará pela ilha do Fogo – o que não foi possível o ano passado dada a erupção do vulcão. Sendo S. Filipe cidade com que Ourém está geminada, já de tal informei os dois presidentes, disponibilizando-me para o que pudesse ser útil. Pouco será. Mas, se nada o será do ponto de vista empresarial ou de investimento, talvez algo se descubra culturalmente. Fica a informação.    
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Em resposta a reacção a intervenção do presidente da Junta de Fátima, dando a sua versão do incidente com o mandatário concelhio da CDU, apenas disse que não entraria em polémica uma vez que o caso estava entregue a quem o deverá julgar, a Comissão Nacional de Eleições.


02.01
Intervenção
Sobre os documentos previsionais teria muito a dizer, como matéria da minha área profissional, mas uma preocupação maior, prioritária, absorvente, esgota o tempo que poderia ter.
O que não obsta ao devido agradecimento aos serviços, e a quem os representa, pela qualidade do trabalho apresentado. Agradecimento que, com muito gosto, renovo e reforço todos os anos.
Esse mesmo trabalho ajuda a revelar a progressiva perda de autonomia do Poder Local, demonstra como se está a pôr em causa o princípio da descentralização através de uma rede e emaranhado legal de exigências financeiro-contabilísticas centralizadoras.
 Aliás, esta invasão centralizadora não se verifica apenas nas relações Poder Central-Poder Local. É piramidal! O Poder Local perde poder para o Poder Central, este perde soberania paras instituições ditas comunitárias, estas cumprem regras impostas por instâncias supra-supranacionais, como o FMI e outras estruturas informais quando não secretas. Quem detém o poder sem face?

Lutei, luto e lutarei pela liberdade e pela democracia e ouço, aqui, defender maiorias absolutas como poder absoluto e anti-democráctico. Aqui, por eleitos democraticamente que usam linguagem e argumentação que se aceitaria noutros lugares públicos e populares, por deficiente e deturpada informação dos cidadãos, mas que é inaceitável aqui e por quem foi eleito pelo povo para o representar, a quem se exige uma informação mínima e não um papaguear de ideias feitas, deturpadas, mentirosas, mal formadas, consciente ou inconscientemente um anticomunismo ultramontano para não dizer mais.

Fomos eleitos, todos, para decidir quais os documentos previsionais que servirão a política autárquica. Estamos impedidos de o fazer. Estamos a cumprir um ritual burocrático. Porque este orçamento é um documento ”faz-de-conta”, é “atípico” por apenas cumprir uma formalidade com já anunciada necessidade de emendas que ninguém sabe quais terão de ser, foi aprovado no executivo com um insólito voto favorável condicional.

Tem de se perguntar onde está a democracia que aqui nos trouxe para deliberar em nome do povo?
abstençao 
e declaraçao de voto

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

No MédioTejo... e a ter de pagar a água aumentada 58%

Transcrição de artigo no espaço médio-tejo.net, em que colaboro semanalmente, e onde refiro o aumento da água em Ourém

“MEMÓRIAS (S) VIVAS (S)… E AQUÁTICAS (S)”

 

Podemos estar cansados, sem inspiração; podemos não querer falar d’isto ou d’aquilo; podemos não ter tempo, ou espaço (quantos caracteres?), ou meio de confirmar informação pouco rigorosa. O que nunca nos faltará é… assunto!
Hoje, talvez cansado, com a inspiração em baixo (se é que alguma vez está em cima…), com pouco tempo, com o espaço apertado, com o “google” aos soluços trago, dois temas (e podiam ser mais!)
  1. Diz-se no Público de hoje (6ª, 20, dia desta escrita) que Movimento pela navegabilidade do Tejo nasce em Vila Franca de Xira” ,e em artigo assinado, meio de opinião. E lembrei que há 30 anos, ou um pouco menos, estava eu na Assembleia da República eleito por Santarém, participei num encontro, no então Teatro Monumental – com a plateia cheia –, em que o Grupo Mendes Godinho, de Tomar, apresentou a sua ideia-projecto de “regularização e navigabilidade do Tejo”, a cujos objectivos dei o meu apoio e até entusiasmo… E tanto foi ele que fui proposto para sócio nº 1 da associação a formar, concretizadora do projecto, já que não fazia parte do Grupo nem era dos fundadores da ideia-projecto-associação. Ou estarei a efabular recordações numa memória já muito sobrecarregada? Creio que não! Muita água correu sob as pontes que juntavam as duas margens do Tejo, e até algumas novas pontes apareceram; o Grupo Mendes Godinho teria tido nesse projecto o seu “canto do cisne”, eu fui para outras tarefas menos ribatejanas e mais europeias (não confundir híper-crítico da União Europeia com anti-europeu, até porque nasci na Europa que já existia antes de 1957 e do Tratado de Roma, e europeu sou). Tive pena que a ideia tenha ido “por água abaixo” (e não do Tejo) mas senti o acre espinho flagelar-me ao ler a ideia da navegabilidade do Tejo como coisa nova ou inventada.
  2. Em Ourém, onde vivo, portanto no Médio Tejo embora a quilómetros da borda de água e dos esteiros que gosto de rever em Soeiro, o preço da água vai aumentar 58%, por decisão de Tribunal Arbitral. Como consumidor indigno-me. E sei porque me indigno, e não é (só…) por tal aumento se repercutir no meu orçamento familiar. É porque ouço e leio as acusações da actual vereação (de maioria PS) à anterior vereação (PSD) que assinou o acordo de concessão, e o ricochete dos que são hoje responsáveis partidários do PSD acusarem a actual vereação; é porque, além de ser feio, é enganador dos dois lados; é porque o que se deveria discutir (ou reconhecer) é que a política que propôs, aprovou e sancionou foi dos dois partidos que hoje gesticulam à toa, sacudindo a água dos capotes, como se estivessem esgrimindo razões. O Poder Local bipartido (ou tri) em Ourém eximiu-se a uma das suas responsabilidades ao concessionar o serviço público de fornecimento de água a privados com a contrapartidas em engenharias financeiras (como com as PPP e etc.) e vão 3 empresas – compagnie des eaux, veola, be water – passando de mão em mão e de nacionalidade em nacionalidade, em negócios sucessivos, com seus interesses/lucros salvaguardados por um contrato que o Tribunal Arbitral faz cumprir, mas sem se verem as tais contrapartidas. Que mais dizer? Que houve quem tivesse votado contra, quando e de onde nasceu a causa deste aumento.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Prestação de contas de participação na Assembleia Municipal de 28.09.2015

01.02
Para a acta: Sérgio Ribeiro pediu a palavra para pedir que a Senhora Presidente referisse ter recebido uma carta sua justificando porque abandonara a sessão anterior; perguntado, pela Senhora Presidente, se pretendia que a carta fosse lida, respondeu que apenas entendia ser indispensável a referência à carta no resumo do expediente.

01.03
Decerto influenciado pelo tom evangélico, para não dizer beato, da informação do Presidente da Câmara, só quero dizer bem:
1.    Da nova metodologia de apresentação, com anexos, resumindo a comunicação;
2.    Do “festival de Setembro”, que foi uma boa iniciativa, mormente a representação teatral, apesar do mau tempo;
3.    Da apresentação, no Museu-Casa do Administrador, do vídeo de 12 minutos de 3 jovens “ao Redol da Tijomel”.

01.04
Declaração política
(cumprimentos protocolares)
Sinto como absurda, ou até abstrusa, esta situação de ter de fazer uma declaração política numa sessão do órgão mais político (em teoria…) do Poder Local quando toda a minha disponibilidade e todas as minhas preocupações estão focalizadas para uma outra vertente da mesma luta política, isto é, do nosso viver colectivo. Assim como quando, no Parlamento Europeu, falava dos fornos de carvão do Vale da Perra.
É verdade que tudo está ligado, mas também é verdade que tudo tem o seu lugar e tem o seu tempo.
E este é o tempo, mas não o lugar, de ainda tentar esclarecer alguns nossos concidadãos de que o seu voto é arma de que dispõe, é voz com que pode dizer o que pensa, é a ferramenta (só sua e única no dia 4 de Outubro) para a construção dos caminhos futuros. Que é indispensável que esse acto seja informado, esclarecido, e não escolha perante alternativas viciadas e mentirosas, perante informação manipuladora e influências espúrias.
E vamos gastar esse tempo, dito político, de cumprimento de dever de representação cidadã, a aprovar burocráticas declarações de interesse público em favor de entidades que apenas deveriam existir se tivessem interesse público.
É neste sistema de democracia do voto que vivemos. Que conquistámos – alguns duramente. Sistema que é inacabado, imperfeito, incompleto, que funciona mal mas que, segundo alguns como Churchill será mau, mas é o melhor de todos por não haver outro melhor. Por ser o possível.  
Ora, eu não aceito esta leitura da História. Tenho outra. A leitura de que as bases desta democracia são desumanas porque dividem os seres humanos. A leitura de que é possível mudar as relações sociais e que, cedo, tarde ou mais tarde, serão mudadas. Com o nosso voto e não só. Com a nossa, e dos vindouros, participação.
Não estamos condenados às decisões de Bretton Wooods como eternas e imutáveis, às decisões do pós-guerra que dividiram o mundo em dois, que criaram o FMI para perpetuar um sistema de relações sociais.
Falhou uma experiência, enorme na esperança e nas consequências, minúscula no tempo vivido, negativa em tanto que se frustrou? Talvez…, mas não morreu a certeza de que o caminho dos humanos será o da humanização das relações sociais, sem predomínio da exploração, e das suas sequelas de especulação e de corrupção, com o bezerro de ouro a ordenar mais que o povo. Que acabará por vencer a luta para que termine este rumo já com 39 anos e sempre-os-mesmos, que retomará o projecto constitucional, que dará conteúdo a nomes como Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas Industriais e Empresa Pública de Parques Industriais, ao Plano de Emprego e Necessidades Essenciais 1976-1980, que concretizará tudo (ou muito) do que foi metido em gavetas sem fundo, e esgotado fundos e ilusões.

Esta declaração está a tomar o jeito de sermão. Para o que não tenho nenhuma vocação ou preparação. Por isso, dou a palavra a quem já não pode votar e que, talvez melhor que ninguém em português, usou o sermão para declarações políticas. Dizia o Padre António Vieira, no Sermão do Bom Ladrão (de 1655):
O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera. (…) os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. – Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes, sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.
Mas (…) aquele que tem obrigação de impedir que se furte, se o não impediu, fica obrigado a restituir o que se furtou. E até os príncipes que por sua culpa deixaram crescer os ladrões, são obrigados à restituição; porquanto as rendas com que os povos os servem e assistem são como estipêndios instituídos e consignados por eles, para que os príncipes os guardem e mantenham com justiça.  

E podia continuar, mas acabo. Tenho de acabar!
Desculpem a decerto inútil maçada. Neste dia 28 de Setembro de 2015 não convenci ninguém, nem ninguém me convencerá a mim, para 4 de Outubro, mas tinha o imperativo estritamente pessoal e cívico de fazer esta declaração.

02.08
Intervenção e Declaração de voto
Apoiando tudo o que possa contribuir para a necessidade e urgência da segurança dos peregrinos nos seus “caminhos para Fátima”, o Grupo por Ourém não pode dar o seu voto positivo a esta proposta pelo modo verdadeiramente inaceitável como está fundamentada e elaborada. Consideramos que o assunto merece maior seriedade e o âmbito e redacção do rascunho dos estatutos de indefinida associação não pode ter mais que abstenção.

02.09 a 02.23
Intervenção
Face a esta terceira onda da avalanche de emissões de reconhecimento público, só se diz e reforça o que foi dito na reunião de 29 de Abril, abstendo-se o Grupo por Ourém em todas elas, repetindo-se agora a declaração de voto então feita.
Declaração de voto 

Esta avalanche de declarações de reconhecimento de interesse público parece-nos derivar de uma questão aparentemente burocrática mas que corresponde a uma banalização do conceito do interesse público, que deveria ser universal, assim se correndo o risco de induzir ausência de interesse público para as empresas não beneficiadas com a declaração de interesse público, pelo que nos abstivemos em todas elas, com a consciência de que a abstenção não prejudicará a outorga

domingo, 11 de outubro de 2015

Memórias para saudade e compromisso

Hoje, no Centro de Trabalho de Ourém do PCP, lembrar-se-á, com muita saudade e alguns amigos, um camarada que tão novo faleceu, o Flávio Costa, colocando uma fotografia sua na parede onde estão os retratos dos nossos saudosos Mariano, Victor Hugo e Luísa Espada.
Nessa fotografia está o camarada João Pereira, que também tão novo nos deixou este ano, com grande tristeza nossa, juntando-se a estas nossas memórias, cuja luta e postura cívica - em diferentes condições mas a mesma determinação - queremos continuar. 


para o Flávio

que - com 19 anos! -
há 10 anos morreu...
mas que não morreu em nós!

(obrigado, Tiago,
pela lembrança na voz do Adriano)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Transcrito de resposta a pergunta encaminhada para António Filipe, cabeça de lista deSantarém pela CDU


Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.
Terça-feira, 15 de Setembro de 2015
PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS QUER REPOR AS FREGUESIAS EXTINTAS
A pedido do blogue AUREN, recebemos do Dr António Filipe o artigo que a seguir se publica, dando a conhecer a posição do Partido Comunista Português acerca da reorganização administrativa territorial autárquica.
pcp
Correspondendo ao solicitado sobre a alteração da Lei n.º 22/2012, de 30 de maio:
O PCP opôs-se desde a primeira hora à alteração do regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica, que teve como único objetivo forçar a extinção de freguesias, de forma unilateral, autoritária, e contra a vontade das populações e dos autarcas. Nada justificava este processo. O resultado é um poder local mais distante dos cidadãos, um país mais centralista, a acentuação da desertificação do país.
O PCP usou todos os mecanismos possíveis para travar este processo. A maioria PSD/CDS acabou porém por conseguir impor este regime e assim extinguir mais de um milhar de freguesias. O PCP afirmou, e reafirma, que não considera este processo como um facto consumado e que tudo faria para, de acordo com a vontade das populações tomar iniciativas de reposição das freguesias extintas.
Ainda na legislatura que agora termina, o PCP apresentou diversos projetos de lei para a recriação de freguesias extintas.
Na legislatura que se iniciará em outubro de 2015, o PCP assume o propósito de retomar e prosseguir a apresentação de projetos de lei para a reposição de freguesias extintas, sem prejuízo de equacionar a revogação expressa da legislação relativa à reorganização administrativa territorial autárquica.
Com os melhores cumprimentos
António Filipe
Partido Comunista Português
Grupo Parlamentar/Assembleia da República
(Vice-Presidente)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CDU Agosto 2015

Em 2011, a CDU elegeu o 8º dos 10 deputados pelo distrito de Santarém. Foi António Filipe, eleito depois para vice-presidente da Assembleia da República e que fez muito trabalho como representante do povo deste distrito, nomeadamente do concelho de Ourém, onde esteve em várias ocasiões, como neste blog se pode comprovar.
Sendo, de novo, cabeça de lista pela CDU, esteve ontem no Centro de Trabalho de Ourém do PCP (que com o Partido Ecologista os Verdes forma a Coligação CDU) para encontro aberto de informação e debate.
A (pequena) sala encheu e conversou-se animada e inFormativamente com o candidato, sobre a política em geral e sobre a campanha em que, nestas eleições, se elegerão 9 deputados pelo distrito de Santarém, (já foram 12 os deputados do distrito), número que revela (ou confirma) a diminuição da importância do interior ou do Portugal além das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Tendência que resulta das políticas que têm sido prosseguidas e é necessário (e urgente) inverter.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

CONVITE


Foto de Margarida Poeta.
ABERTO

António Filipe foi um dos 10 deputados
eleitos por Santarém na última legislatura 
foi vice-presidente da Assembleia da República
veio a Ourém em várias opotumidades
(Boleiros, ligações IC9, saúde)