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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Entre férias e trabalhos

A meio das férias, já a antecipar saudades que um dia destes vou ter destes momentos de sossego e liberdade, sobressalta-me este pensamento de quantos estão privados da primeira condição para ter férias: ter emprego. Ou dos que já se livraram do desemprego, porque deixaram o país para escapar a essa situação.

Mas é fácil perceber que o futuro não nos resolverá este drama com a mesma forma de pensar do presente.

Primeiro, em séculos mais recuados, com a chegada em massa das máquinas, os operários foram deixando o lugar a braços mecânicos, muito mais fortes. Quantos cavadores de outros tempos eram precisos para tratar um campo que hoje é cultivado por um trator de várias toneladas?
           
 Mais tarde, com a automatização permitida pelos computadores, foi a dimensão mais "inteligente" que foi preenchida pelas máquinas: mais rápidas, mais precisas, mais eficazes. Quantos dedicados funcionários dos registos eram necessários para cruzar toda a informação de faturas de norte a sul que atualmente circula nos circuitos dos computadores das finanças? (e que em horas de aperto até conseguem ir desencantar pagamentos fora de prazo de há uns anos, para poder emitir a multazinha… Para onde irá esse dinheiro!)
            
E não custa nada imaginar que, dentro de poucos anos, aparelhos muito mais sofisticados tomarão o lugar das pessoas até no atendimento a clientes, de forma generalizada. Já vimos experimentar isso nas portagens de autoestrada, já vimos os hipermercados colocarem caixas "self-service". Não demorará muito até que o trabalho humano seja reduzido a pequenos círculos muito especializados. Isto é, para a grande maioria não haverá empregos.
           
 Mas os nossos governantes continuam a olhar para trás: aumentam o número de horas de trabalho, diminuem o período de férias, sobrecarregando alguns com mais esforço, e reduzem as hipóteses de um emprego a todos os outros. Dizem que é para a produtividade, mas sabem claramente que o país só chegará ao nível de outros quando investir em mais tecnologia e menos força humana. E só lá chegará com o caminho contrário, quando libertar muito mais as pessoas para o tempo livre. Para usar uma comparação inspirada num livro de José Saramago, diria que não vale de nada ao oleiro trabalhar dia e noite para tentar competir com a fábrica de pratos, onde toda a linha de produção é automatizada.

Por isso, recordo a notícia do milionário mexicano que defende que se trabalhe apenas três dias por semana como forma de dar mais tempo às pessoas para atividades pessoais (e mais consumo, certamente). E penso nas contradições da vida: só é notícia quando é o milionário a "reinventar" esta velha ideia.

            
Enfim, cá estou eu, a antecipar saudades das férias enquanto ainda tenho o privilégio de as poder gozar. E cheio de esperança de que os espíritos, aos poucos, se vão abrindo para a realidade, em vez de persistirem no pesadelo do momento atual.

João Filipe Oliveira
publicado no Notícias de Ourém de 29/08/14

domingo, 24 de agosto de 2014

De galinheiros e raposas

Sou do tempo de em Ourém, perdão, em Vila Nova de Ourém, não haver bancos, isto é, agências bancárias. Mas havia movimento bancário, que era feito por correspondentes, comerciantes de firmados créditos (é mesmo o termo certo!). O senhor José de Sousa Dias, por exemplo. Que descontava letras… papel comercial, e assim facilitava a vida a muito comerciante à volta da Vila Nova de Ourém.

É verdade que a idade já é provecta, mas o tempo tem escalas e ritmos e parece que foi ontem. Lembro-me muito bem de ser assim, como me lembro da revoada de “balcões” que se abriram em razão da emigração, das remessas dos emigrantes, das contas a prazo para pequenas poupanças. Ourém, ainda Vila Nova, tinha um volume de depósitos nas suas agências bancárias que impressionava quem, por formação – ou deformação – de ofício, se interessasse pelas “coisas da economia”. E o nível de aplicações locais, de investimento a partir de crédito bancário concedido não estava em proporção, pelo que se podia dizer (e disse-se…) que o dinheiro vinha de Franças e Araganças para a nossa terra e, daqui, muito ia para fazer crescer outras terras que não a nossa.

E houve “aquilo” do 25 de Abril, que incomodou os banqueiros e quem dono deles era, que se serviam dos dinheiros do povo até para tentarem impedir, violentamente, que o povo tomasse nas suas mãos o seu destino, sem tutelas, patronos, exploradores. O que levou a que os bancos fossem nacionalizados, numa primeira fase, a que se deveria seguir uma segunda que seria a de se estruturar a banca e, em coordenação com outros institutos e instituições – como IAPMEI e EPPI, ou seja, Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas Industriais e Empresa Pública de Parques Industriais –, no quadro de uma planificação, se apoiar a rede de micro, pequenas e médias empresas, e se promover a regionalização que aproveitasse os nossos recursos e evitasse a necessidade dos braços nossos e dos nossos vizinhos irem procurar trabalho lá fora.

Essa segunda fase “ficou no tinteiro”, embora algo tivesse sido passado a limpo, na Constituição e alguma legislação. “Ficou no tinteiro” porque os governos desde 1976 estavam virados para outro lado, e a maioria dos gestores públicos nomeados eram públicos no título e privados na gestão. E os “pobres espoliados” lá tiveram meios, artes e manhas para breve virem a recuperar como seu o negócio com o dinheiro que é dos outros para aumentarem exponencialmente o deles (e onde é que eles o foram buscar, os que, “coitadinhos”, tinham ficado sem nada, segundo diziam?).

E nasceram, como cogumelos, lojas e mais lojas de dinheiro-faz-de-conta. Num evidente desatino.
Estava-se mesmo a ver que ia dar bota… isto de pôr raposas dentro das capoeiras a gerir o milho!
E agora? Temos de pensar nisto. Nós. Não os que enriqueceram (mais e em desmesura) e, pobres deles, gerem os seus negócios e negociatas de suites em hotéis de luxo, cuidam das suas aplicações em praias de todo o ano, enquanto pagam principescamente a advogados para não irem para prisões de 5 estrelas. Mas não são eles que estão errados. Errado está o que criou condições para que assim seja e assim continue.

Entretanto, em Ourém, vão ficar vazias mais algumas lojas… Tudo à nossa vista!
Assim se queira ver…

Sérgio Ribeiro
publicado no Notícias de Ourém de 22/08/2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Onde andam os carros com um “fê” atrás?

Nos agostos dos setenta, a gente ia a um arraial, ao mercado ou ao Agroal e em vinte carros,  só um tinha matrícula de cá, os outros eram de “çavás” que pagavam a despesa do balcão, o andor e davam graças ao Senhor pela França e pela abastança.  Dizem que ainda vêm cá alguns mas já não saem, dizem  que são outras gerações, dizem que já não há a diferença da moeda, dizem que  aquilo por lá também já não é o que era mas diz--se também que os números do êxodo, que agora vivenciamos, já ultrapassaram os da década de sessenta.

Digamos pois que a emigração deu volta, depois de se ter deixado de ir para lá para fazer cá casa e se passou a ir para lá para a pagar.

Cinco quartos, quatro quartos de banho, três salas, duas cozinhas, uma churrasqueira, varandas, muros e mais janelas – grande como os sonhos. Ao lado, uma outra casa de duas águas cujo alçado principal deixa adivinhar o interior e a passagem pela emigração de quem a edificou ou mandou edificar. O mesmo alçado enquadra ainda um banco, marcado por estios e invernos, no qual está sentado um homem, marcado pela idade, com a mesma vontade de falar que outros homens e mulheres da sua idade que se sentam em lugares idênticos:

- Há uma dúzia de anos atrás ele tirava mais de duzentos contos por mês nas obras. Comprou um carro novo e pensou em fazer a casa para ver se arranjava mulher. Entretanto a coisa virou para o torto e teve de ir, os bancos não perdoam!…

Conheço filho e pai. O pai veio de França há muitos anos para que o filho que lá nasceu, estudasse cá. Desenrascou-se com obra aqui e compra e venda acolá, enviouvou e o malandro não quis nada com a escola e sempre lhe deu para a colher de pedreiro do pai.

Dando uso ao banco e conversa a quem passa, não pensa no passado, fala apenas do filho e de amanhã. Não virá num carro com um “fê” atrás, nem com dinheiro que chegue para dar aos bancos, quanto mais aos santos! Não virá como o pai vinha com ele quando era pequeno, mas virá grande como ele é, saído ao pai, e alegre e bonito como era a mãe. Irá com o pai ao mercado, à festa do quinze de agosto e ao café e dirá muitas vezes “isto é mais caro do que lá”.

- Oh se ao menos quando eu morresse ele estivesse cá! Vê-los chegar é um consolo mas vê-los partir!...

Dizem que sempre houve emigração, que as pessoas têm que procurar melhores condições, que mandam dinheiro, que não pesam ao estado, que trazem sabedoria.  Mas ninguém fala do que levam e acham normal que haja um governo que (n)os aconselhe a partir.

Luís Neves
publicado no Notícias de Ourém de 15/08/2014

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Coisas cá da terra

Se te sentes insatisfeito com o rumo do que vês à tua volta, não desesperes. Levanta a cabeça, faz qualquer coisa que te preencha, que te faça sentir homem grande e cheio de força. Sei, lá… vê o Benfica. Quando discutires o penalti que o árbitro não viu levanta a voz e clama os teus direitos. A dignidade de um homem não é para ser achincalhada. Exalta-te, esbraceja, dá um murro na mesa!

Se olhares à tua volta com desconfiança, não te chateies. Diz que são todos iguais, que querem é tacho. Aproveita e vai petiscar com os amigos como acontece quase todos os dias. Do topo da mesa e bem certo que te estão a encornar (eles, os políticos) chama os gatunos pelos nomes. Quando chegares a casa, tarde e bem bebido, diz-lhes que a ti não te enganam e que não tens nada a ver com essa escumalha. Que os políticos são todos filhos de uma grandessíssima e haja o que houver exclui-te por inteiro de qualquer responsabilidade. Acima de tudo, não faças nada.

Não estranhes outro banco nas notícias. Finge que sabes quanto são os mil milhões atrás de mil milhões e olha com um ar descontraído para a inevitabilidade que te enfiam goela a baixo. Bebe uma água com gás para a azia e manda calar os miúdos. Não toleres faltas de respeito lá em casa. A loiça não a lavas porque… porque não.

De vez em quando vai à missa. Leva a mulher e os filhos a almoçar e diz ao dono do restaurante que oito horas por dia é conversa de calões. Tu bem sabes a vida que levas. Os sacrifícios, as férias que quase nunca tiras. Vives para o trabalho e, se vires com atenção, o trabalho és tu. Pouco mais existe e isso é coisa de valor. És mártir da causa própria e a ti não te enganam. Não tens tempo livre mas, verdade seja dita, ainda bem que não. Afinal, o que farias com esse tempo?

Olhas com desdém para a ostentação de riqueza do novo rico mas bem lá no fundo, é isso que queres. Um carro que mostre o tamanho (!) que tens. Assim sendo deixa-te estar quieto. Não faças nada, não perguntes e não penses. E se algum dia te der na gana de ir embora pra Pasárgada, respira fundo. A ti ninguém te engana.

Pedro Gonçalves
publicado no Notícias de Ourém de 7/08/2014

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ACORDA, POVO!

Camaradas e amigos, não consigo ficar indiferente a todas as convulsões sociais que se abatem sobre o nosso pais e o povo como que “ anestesiado” pela falsa inevitabilidade de que o empobrecimento é o caminho que os “troikanos” lhe indicam, lá vai carregando sobre si o fardo que não é seu.

Esta é a hora de dizer: BASTA, a este governo, de “parasitas” que destrói por exemplo a nossa escola publica, que destrói o nosso Serviço Nacional de Saúde, que corta pensões e reformas já de si minúsculas, que apoia o sistema bancário sem este impulsionar a economia, entre outras medidas que em nada melhoram as condições de vida das populações.

Que governo é este que “aborta” a vida das pessoas:
- que desesperadas por diversos motivos aliados à crise se suicidam;
- Que perdem os seus bens (casa, carro, poupanças):
- Que são forçadas a imigrar para sobreviver:
- Que permite que existam crianças e idosos a passar fome;
- Que permite uma elevada taxa de desemprego, sobretudo jovem;
- Que desincentiva as famílias a terem filhos;
- Que promove a miséria e causa falta de vontade de viver, entre muitas outras “chagas” e injustiças sociais.

Portugal tem hoje a taxa de natalidade mais baixa de toda a Europa e mesmo cada criança que nasce, já trás consigo a responsabilidade por parte da divida contraída pelo seu pais.
Mas o descaramento deste governo é tal, que se dá ao desplante de introduzir quando bem entende, cortes e impostos que em nada se têm refletido em melhorias para o país.
A verdade dos factos está á vista do povo português, na nossa realidade diária e na comunicação social quando feita de forma séria e transparente.

Este é o governo que não respeita NADA, nem NINGUÉM, que quer “enterrar” a Constituição da Republica Portuguesa e “pontapear” as decisões do Tribunal Constitucional como se de uma “pedra da calçada” se tratasse, empecilho no caminho destruidor que quer concretizar.

Está na hora, no minuto, no segundo, de exigirmos seriedade, honestidade e competência aos nossos governantes. As inconstitucionalidades dos últimos anos, referem que este governo é um “governo fora da lei”, que faz de tudo e quer passar por cima de tudo para aplicar a sua linha ideológica.
Ainda podemos salvar PORTUGAL!


ACORDA, POVO, ACORDA!
Rui Pinéu
publicado no Notícias de Ourém de 31 de julho de 2014

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A falácia da argumentação dos neoliberais

O que se esconde por detrás de todos os argumentos dos corifeus da direita, é o grande objetivo do imperialismo e do capitalismo financeiro internacional, em pretender formatar as sociedades, a nível global, pela grelha neoliberal e conservadora, remetendo o Estado para a mera gestão das funções de soberania e entregando à iniciativa privada a gestão de todas as atividades económicas, sociais e culturais, que assim ficariam sujeitas à sagrada lei da oferta e da procura e ao princípio do utilizador/pagador. Em vez de sociedades minimamente solidárias, criar-se-iam sociedades ferozmente competitivas, onde prevaleceria a lei do mais forte. Cada cidadão ficaria entregue ao seu mérito e à sua sorte. Se nascesse incapaz, a culpa seria dos pais, que deveriam ter feito um teste genético (pago do seu bolso, naturalmente) antes de pensarem ter um filho. Se o cidadão contraísse uma cirrose, porque era alcoólico, ou contraísse um cancro no pulmão, porque era fumador, não teriam de ser os outros cidadãos a pagar os respetivos tratamentos. Mas, se aquele cidadão contraísse o cancro pulmonar, devido aos gases tóxicos emitidos pelas chaminés de uma fábrica de produtos químicos, ninguém iria lembrar-se de exigir uma indemnização aos proprietários daquela fábrica, assim como ninguém iria lembrar-se de exigir responsabilidades pela existência de uma criança anormal, ao fabricante daquele preservativo que se rompera durante uma relação sexual do casal progenitor, que, anteriormente, tinha sido  aconselhado a não procriar, depois de se ter submetido a um exame genético. 

Por mero interesse do lucro dos grandes grupos económicos e financeiros, os doutrinários fundamentalistas do neoliberalismo pretendem diluir a responsabilidade coletiva de uma sociedade e aprofundar até ao limite a responsabilidade individual de cada cidadão. 

Apliquemos esta visão corrosiva e distorcida a uma equipa de futebol, com os avançados da equipa derrotada a reclamarem o prémio do jogo, porque, tendo marcado dois golos, consideraram que a culpa da derrota teria sido dos defesas e do guarda-redes, que permitiram a concretização de três golos pela equipa adversária.

Os ardilosos argumentos da "fat tax", que pretendem incutir um falso princípio de uma nova justiça social, baseado no paradigma fundamentalista de que, em todos os domínios estruturantes da esfera social, cada um tem o que merece e que cada um tem de pagar o que usa e possui, não resistem ao confronto com os princípios humanistas que as sociedades desenvolveram ao longo da História, embora, como se sabe, as classes possidentes sempre os tivessem tentado torpedear. E faço a simples pergunta: Como é que uma sociedade organizada no modelo neoliberal resolvia o problema de uma criança talentosa, que, revelando elevado mérito nos primeiros anos de escolaridade, não poderia, entretanto, prosseguir os estudos por insuficiência de meios financeiros de seus pais? O Estado dava a essa criança um cheque-ensino, diria o inefável Paulo Portas, julgando ele que estava a salvar a honra do convento. E eu responderia: mas, por que carga de água, vivendo eu numa sociedade do Estado mínimo e do lucro máximo, tenho de pagar dos meus impostos a formação daquela criança talentosa? Por uns instantes, Paulo Portas julgaria ter demonstrado a superioridade moral do Estado neoliberal, de natureza individualista, sobre o Estado Social, de natureza coletivista, que eu defendo, por considerar ser mais equitativo e mais justo, ao disponibilizar serviços de âmbito social (Educação, Saúde e Segurança Social) a todos os cidadãos, em plena igualdade de condições. E aqui, já não discuto a justeza do pagamento dos meus impostos, para esse fim...


Alexandre de Castro
publicado no Notícias de Ourém de 24 de Julho de 2014

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Miguel de Unamuno falava

Miguel de Unamuno falava-nos da sensibilidade fina dos portugueses, muitas vezes contrapondo-a, binariamente, à «brutalidade trágica» dos castelhanos. Dizia que o luso povo era reflexo do Atlântico inteiro que acarretava.  
Lembro estas palavras, embora em linhas de cultura bem mais profunda que a minha, sempre que «pego» em Andrade, Torga, Ramos Rosa, Tamen, Cinatti, Pessoa ou, noutra dimensão daquilo que nos gregariza perante o desconhecido da finitude, quando oiço os coros do Sul – aonde visceralmente pertenço -  dizer o que de indizível trazemos: amargura e esperança, nostalgia e, penso, esta imensa pena de morrer que não nos larga e que, talvez Unamuno tivesse razão, o Atlântico sempre nos lembra.

Mas o Atlântico, onde exilado da minha planície cumpro o «castigo» económico do desemprego na minha terra, lembra-me também outra falta maior que, não menos poética não é, por isso mesmo, menos profunda.
Dia 16 fui ao aeroporto. Evoluimos nisso, bendita seja a verdade. Deixamos o esgoto das caravelas onde traziamos o escoburto e a vergonha da escravatura disfarçada em sangues de canela e pimenta. Agora temos passadeiras rolantes, pássaros de alumínio ou de fibras de carbono. Cheira a lixívia e a vidros limpos com ajax. Mudámos os meios e as rotas mas  pouco a condição. Os pobres continuam a rota da escravatura e os (aero)portos continuam cais de lenços absorvendo as entranhas da ternura destroçada.

Dizia, dia 16 fui ao aeroporto. 14 meses depois de trocar o desânimo pelo incerto, o meu irmão veio de férias. Qualquer coisa como catorze mil e quatrocentos quilómetros roubam-no aos braços dos seus pais, dos seus irmãos, da sua namorada, dos seus animais, da sombra dos plátanos onde lia,  da ribeira onde mergulhou no pino do verão, dos velhos do alentejo ou de trás-os-montes que tanto amava fotografar... catorze mil e quatrocentos quilómetros que o impedem de entrar na livraria favorita, de irmos ao teatro juntos, de percorrer as ruas, alamedas, avenidas do seu país quando outono e os amarelos pedem muito um copo de tinto junto ao mar.

(Durante este tempo tão doloroso, o João excerceu, em Díli, advocacia. Prima pelo profissionalismo e competência. Só assim se justifica o assédio que tem recebido de muitas sociedades de advogados. Nesse interim mestrou cursos de fotografia. Sempre esgotados. Arte com que ganhou inúmeros prémios. Dos mais recentes e principais, pela dimensão e reconhecimento internacional, foi eleito pela Sony o melhor Fotógrafo Português. Ainda assim, parece, para Portugal não serve, não faz falta, nada acrescenta. Percebo: no país da fome e da subserviência a arte revolucionária cria pavor.)

Talvez tenha ainda vivido muito pouco (alguma vez se vive muito?), mas o estremecimento que senti quando o vi descer a rampa que o trazia dos aviões, quando o vi nos braços do pai em lágrimas, quando desmaiei de ternura no seu abraço, fez-me ter a certeza da razão de Unamuno. Trazemos o atlântico nos olhos. Mas é a única forma! Como aguentariamos a certeza que o abraço de quem chega é apenas nova oportunidade para repetir o adeus?

António Lains Galamba

(por minha vontade expressa este artigo não obedece ao AO90)

publicado no Notícias de Ourém de 24 de Julho de 2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

A Assembleia Municipal e a nossa saúde

Vive-se o ano do 40 º aniversário do 25 de Abril. Não espanta, por isso, que haja quem o queira celebrar e que haja quem, raivosamente, bolse enormidades que não resistem à mais superficial análise da História e revelam primário anti-comunismo. O 25 de Abril veio trazer, depois de um período de alguma euforia, a possibilidade de as massas, com 4 governos provisórios ao seu serviço, encetar um outro e novo caminho para Portugal. Foram 400 e poucos dias em que se conquistaram direitos do homem. Autodeterminação dos povos, condições de trabalho dignas (contratação colectiva equídea, salário mínimo, reformas, férias), direitos à educação e à saúde, consagrados por declarações universais (de 1789 e de 1948), por instâncias das Nações Unidas como as Organizações Internacional do Trabalho e Mundial de Saúde, e que consagrados foram por uma Assembleia Constituinte formada através de verdadeiramente impressionantes eleições de um povo em crescimento embora, naturalmente, carente de informação e formação política, fortemente pressionado por quem mantinha poder e via interesses egoístas seus atingidos pelo rumo das coisas. Mas foi expressa a vontade popular e teve como resultado uma Constituição que, aliás, já sofreu 7 revisões.

Desde 1976, são 38 anos em que, governo a governo, desde o 1º constitucional, tem prevalecido a política de destruição, pouco a pouco, do muito que foi conquistado em 400 dias e uma Constituição. Apenas como caminho aberto. Mas a essa política revanchista se tem resistido. E continuará a resistir!
Na última Assembleia Municipal, por portas travessas, sentimos esta evolução de 40 anos de História. Dissemo-lo a propósito da saúde, do Serviço Nacional de Saúde, da nossa saúde, que “espíritos santos” e quejandos querem que seja um negócio e não um direito.

Assim o dissemos. O que estava em causa, então – com manifestações de utentes nos 4 hospitais do distrito – era a portaria 82/2014. Trata-se de portaria que visa classificar as instituições hospitalares e serviços do SNS. Após leitura atenta, o que se pode concluir é que se está perante um instrumento de intervenção na rede hospitalar que visa três grandes objectivos:
- desinvestir nos cuidados de saúde hospitalares;
- dificultar drasticamente o acesso à prestação pública de cuidados;
- viabilizar as unidades de elevada tecnologia do sector privado.

Segundo a portaria, criar-se-iam 4 grupos de hospitais e instituições, hierarquizados por valências, do nível I (com valências mínimas) ao nível IV (com especialidades muito específicas). O que se concretizaria em simultâneo com a aplicação dos chamados “centros de referência”. Não se põe em causa a existência desses centros, nem a necessidade de se definir a tipologia dos serviços e estabelecimentos do SNS. Mas o que os dois documentos visam é a destruição do SNS tal como ele está consagrado constitucionalmente. E contribuirão para o processo de desertificação em curso.

O Centro Hospitalar do Médio Tejo (Abrantes, Tomar, Torres Novas), o Hospital de Santarém, os vizinhos Centro Hospitalar de Leiria-Pombal e do Oeste, bem como os da Cova da Beira e as Unidades Locais de Saúde de Castelo Branco e Norte Alentejano seriam integrados no Grupo I. Por isso, especialidades do Grupo II (oftalmologia, pneumologia, cardiologia, reumatologia, genecologia/obstetrícia e por aí fora) só passariam a poder ser encontradas nos Hospitais de Almada, Évora, Lisboa, Coimbra!
A título de exemplo, nas 24 maternidades a encerrar estão as 4 dos hospitais que poderiam, pela proximidade, servir a população de Ourém, enquanto se prevê a criação de maternidades privadas para proporcionar lucros chorudos pelo acto de nascer. E, entretanto, a evolução demográfica é… assustadora

Face à situação, e tendo esgotado o tempo, o eleito pela CDU propôs uma moção, redigida por forma a merecer apoio independente do possível desacordo com considerandos que a antecedem, Segundo essa moção, a AM manifestava-se veementemente contra a aplicação da portaria e recomendava ao executivo a interposição de uma providência cautelar.
A moção foi aprovada sem votos contra, com a abstenção de 7 membros do grupo PSD e de 3 do CDS.

Pela nossa rica saúde!
Sérgio Ribeiro
publicado no Notícias de Ourém de 10/07/2014

domingo, 6 de julho de 2014

És um Homem ou és uma couve?


Volta e meia acusam-me de ser uma pessoa com apenas dois assuntos: Politica e plantas. Naturalmente discordo, é que as Plantas também contém politica apesar de não a serem.
Por absurda que pareça esta intercessão Politica, a diferença fundamental entre a organização do Reino Vegetal e a organização Social do Homem, nem sempre parece óbvia ou aparece sequer nas politicas. Numa dominam as relações profundas de dependência dos factores naturais, na outra, apesar da necessidade desses mesmos factores naturais, o Homem actua e dominou uma parte desses recursos em seu proveito, nem sempre com proporção e muito menos justiça, apesar da tendência natural para o equilíbrio entre o Homem e o seu Meio continuar a ser a força motora dos acontecimentos que Lhe permitiram a ocupação, sobrevivência, desenvolvimento e multiplicação na geografia do mundo.

 Ao longo dos milénios tornámo-nos um ser  social cada vez mais complexo e organizado, com algumas variações e muitas assimetrias nas várias regiões do humanidade e, claríssimo, dentro de cada uma delas.
Todo o Desenvolvimento atingido permitiria, agora mesmo, a garantia de satisfação de todas as necessidades da Humanidade, tomando apenas aquelas inscritas na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

E de botânica ou agricultura, sabemos que as plantas não tem direito à educação ou à saúde, e muitas vezes nem direito a um oikos ou sítio onde existir. As plantas apesar de terem organizações sociais, (a Fitossociologia caracteriza os conjuntos de plantas que geralmente co-habitam em determinadas áreas) podem entreajudar-se e ter relações complexas de mútuo benefício sem expressar emoções detectáveis ou desenvolverem órgãos colectivos complexos,  sintetizam açucares a partir do dióxido de carbono! detectam a luz, a escuridão, o contacto, atraem animais polinizadores, dispersores, às vezes predadores dos seus predadores, e, ainda produzimos com elas quantitativamente, 80% do alimento da Humanidade. 

As plantas fazem tudo isto e apesar disso não sabem ler nem escrever. A verbalização é discutível, há os que falam com elas ( misturar água, ou retirar água à fala resulta na maioria dos casos) mas relatos das ouvirem, são geralmente delírios inofensivos ou problemas de saúde.
Direitos das Plantas quase só os dos privilégios da agro-indústria. injusto! Deviam ter muitos mais, são os Produtores primários, com tantas necessidades e benefícios que nos satisfazem, não é?
Se calhar era preciso que aparecesse aí um Carvalho de corrida, lutando pelos direitos dos seus pares vegetais. Direitos que contrabalançassem a luta de classes entre os matos, prados, sapais, dunas e bosques e os campos agrícolas, habitacionais, industriais, eucaliptais e recreativos.

 Um Carvalho de corrida que lutasse também por nós caro cidadão, enquanto nos roubam o direito à Saúde, à Educação e ao Trabalho, podíamos finalmente não fazer nada,  ficar fora disto, - aproveitar e ficar fora disto em casa, ficar fora disto a passear, ficar fora disto no Desemprego e vice-versa, ficar fora disto na Escola, ficar fora disto no Centro de Saúde, ficar fora disto nos Transportes enfim, desligar o Cidadão e tirar o Carvalho de corrida do pousio. Responsabilizá-lo.

Um Carvalho de corrida bem entroncado, é tão útil como o Cidadão alienado. Não há nenhuma razão objectiva para achar que a apatia social e politica do Carvalho de corrida seja inferior à do Cidadão. Um Carvalho de corrida cheio de angústias vegetais pode muito bem, por analogia, desejar com mais firmeza travar esta evolução para uma espécie de couve ou outra hortaliça qualquer, onde já muitos vegetamos, sem distinção nenhuma mesmo entre os mais distinguidos, que raríssimas vezes são distintos.


Desabrolhem-se! 
Marco Jacinto
publicado no Notícias de Ourém de 3 de Julho de 2014

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Coisas, cá da terra

A nossa terra é essencialmente a terra e as suas coisas. Pensar na nossa terra é também pensar nessas coisas, que sobre ela, a povoam. Principalmente porque fazemos por acreditar que nem a terra existe mais sem as suas coisas, nem as suas coisas existem numa outra terra. Assumindo isto, natural seria supor que há aqui uma qualquer harmonia, não fosse esta ilusão atormentada pela constatação de que já não percebemos que raio conduz tudo isto. Dar conta que há uma espécie de sarna que vai infestando a delicadeza da pele da nossa terra com estranhas coisas fungosas e que pelo coçar do tempo vai dando cabo daquelas por que sentíamos apreço.

Um incómodo que aparentemente pouco importa, porque na realidade nunca ninguém nos perguntou o que achávamos do que quer que fosse. E provavelmente se tivessem perguntado, responderíamos interrogando para quem essas novas coisas… Para quem queremos novos equipamentos comerciais, desportivos ou de lazer quando não temos a mínima consolidação de uma estrutura de mobilidade urbana… para quem queremos novas áreas urbanizáveis (que nem baldios onde agora brotam cogumelos exóticos da terra) quando as áreas habitadas estão destruturadas, dispersas… para quem queremos novas habitações quando em seu lugar poderíamos ter uma política activa de fomento à reabilitação das já existentes – cuja ruína vai contribuindo para que o conjunto das coisas cá da terra se assuma decadente.

O que é certo, é que o afastamento das populações na discussão sobre estas coisas, dirigido pelo Poder e seus representantes cá na terra, acaba por funcionar também como inibidor da própria vontade das populações em querer fazer parte, intervir e decidir. Agrava ainda a constatação de que hoje o poder local pouco mais é que um simples balcão onde se vai carimbar uns formulários, que pela brutal e constante redução das verbas para o seu funcionamento lhe deixa muito pouco espaço para a promoção de políticas de interesse público.

Há no entanto um espaço que se mantém em potência! E é neste espaço que devemos agir e exigir ao executivo camarário uma outra política urbana e arquitectónica: (1) por uma democracia participativa que inclua as populações nos processos de decisão, projecto e realização; (2) pela criação de equipas multidisciplinares de acção directa, de forma a se proceder a levantamentos sociais e físicos do território para um real conhecimento das necessidades e potencialidades da região, das suas identidades e idiossincrasias, permitindo um apoio prático e teórico abrangente, vital para o planeamento estratégico, consequente ordenamento do território e revitalização da economia e do contexto e tecido produtivo.

A Arquitectura como resposta social mas também como serviço público essencial pressupõe, pois, uma acção integrada entre os técnicos e as populações – encarando o técnico como agente determinante e como factor de progresso, que ultrapasse a figura do fiscal ou reguladorcolado’ ao poder político. Trata-se, no fundo, da necessidade da inclusão das populações no processo discussão sobre o Território, sublinhando a necessidade de se consagrar o direito, que a cada um de nós assiste, à Arquitectura: ou seja, ao espaço arquitectónico e paisagístico de qualidade, contrariando o seu já longo processo de exclusão.


Diogo Silva
publicado no Notícias de Ourém de 26/6/2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Fábula fora da real

          O Zé (pode ser o Zé Povinho, bem se vê) queria ter no seu quintal uma macieira. Maçãs é fruta boa. Não é lá muito requintada, é uma coisa mais para o comum, mas dá para conservar sem dificuldades vários meses. Em duas palavras, prática e versátil.

          Foi o Zé ao mercado comprar uma macieira (podia ser o de Ourém, ou outro por aqui; desde que deixemos de lado por agora "os mercados", aqueles de "colocar" dívidas). Pouco experiente nestas coisas, aquelas estacas pareciam-lhe todas iguais, as etiquetas eram pouco claras… venderam-lhe, sem ele saber, um pessegueiro.

          Escolheu o sítio, preparou a terra e instalou a árvore no quintal. Sítio arejado, com bom sol, e deixou passar as estações. Surgiram primeiras as flores, o Zé estranhou. Depois despontaram as folhas, e aquilo, mesma na sua pouca experiência, não lhe parecia nada uma macieira. Mas o tempo tudo traz, e o Zé era paciente e sabia esperar. Formaram-se os frutos, que o tempo amadureceu, e as suspeitas confirmaram-se. Grande barrete que Zé tinha levado!

          É claro que os pêssegos também não eram maus. Mas acabavam depressa. E não havia maneira prática de os guardar para todo o ano. Fartura enquanto havia, ali em três ou quatro semanas, e o resto do ano tinha de se orientar por outro lado.

          Não era nada daquilo que tinha projetado. Agora, todos os invernos, há muitos meses sem trincar nada do seu quintal, o Zé trata do pessegueiro, um bocado dececionado. E enquanto lhe cava o pé, e o aduba, e o poda, não passa um só momento sem desejar, com toda a força do seu espírito, que no próximo ano ele dê maçãs. Mas nunca dá!

          Esta é a história que me ocorre quando vejo Portugal, ano após ano, a tentar tirar maçãs do seu pessegueiro político. O nosso Zé coletivo cai sempre nas mesmas escolhas, vota sempre nos mesmos partidos. E invariavelmente no ano seguinte volta a queixar-se dos mesmos resultados. Depois, há de dizer que não concorda nada com o rumo que o "seu" partido tomou, e vai desejar ardentemente que os "seus" políticos sigam noutra direção. Mas nunca seguem noutra direção.

          Vamos lá esclarecer isto: pelos frutos se conhece a árvore, pessegueiro não dá maçãs! Se queremos um estado que sirva a população, com médicos, justiça, educação e todos os serviços perto da população, não podemos esperar conseguir isso de partidos que querem "menos estado". Se queremos um governo que resolva os problemas das populações, não podemos contar com quem só nos prega sobre privatizações, mercados, PIB e exportações.

          Tal como nos pêssegos, tudo isso pode até ter o seu sabor, o seu interesse, curto e que não responde ao que procuramos. Todos percebem que, para haver melhores condições de vida, a solução não é reforçar a fortuna de um punhado de milionários. Mas então porque continuam a esperar maçãs de uma árvore que só dá pêssegos?

(Nota: bem sei que a minha fábula é um bocado tonta, mas pensando bem não chega a ser tão absurda como algumas escolhas políticas que temos visto em Portugal)



João Filipe Oliveira
publicado no Notícias de Ourém de 19/06/2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Um dia numa mesa de voto


Feito o balanço e autocrítica do dia, o mais difícil ainda foi o ter de me levantar às 6 da manhã para estar antes das 7 na Junta de Freguesia da Atouguia. Lá nos encontrámos, pontualmente, os 10 que iriam compor as mesas de voto, com o Presidente e mais pessoal.

Foi fácil preparar a sala e comecei por dizer, aos outros 4 da mesa 1, que os saudava calorosamente (e ensonadamente…), e que esperava que iriamos trabalhar em equipa, sob a orientação dos mais experientes, onde me não incluía pois a minha experiência naquelas tarefas era de outros tempos bem diferentes.

E começou a função de receber votantes, secretariar e escrutinar todo o processo, de acordo com a legislação e regras, de que se recebera basta documentação. Das 8 às 7 da tarde, em boa convivência e fácil partilha de tarefas e intervalos (para almoço e outras necessidades), tal como na mesa vizinha (para eleitores de inscrição mais recente), tudo correu sem o menor incidente. Para mim, foi comovente ver velhos rostos conhecidos e amigos (alguns bem envelhecidos) e cumprimentá-los, a alguns chegando mesmo a tornear a mesa para que o abraço fosse real. Como foi enternecedor ver crianças e adolescentes que acompanhavam o pai ou a mãe no acto de votar. Em quatro ou cinco casos, foi mesmo ternura que senti porque, estando naquela tarefa, me reconheceram de outros lados – como de recentes idas a escolas ou do teatro – e manifestaram uma satisfação e até um carinho que me comoveu.

Depois da longa jornada de 12 horas, foi o complemento do que ali nos levara: contar os votos. De novo, foi o trabalho partilhado, colectivo, sem atropelos e eficiente, que possibilitou que rapidamente chegássemos ao final das nossas obrigações cidadãs.
Esses resultados logo me indiciaram o que veio a ser confirmado. Grande abstenção (maior na mesa dos mais novos), elevado número de brancos e nulos, quedas muito significativas nos votantes PSD/CDS e no Bloco, pequena descida nos do PS, subida significativa na CDU (que bem maior seria se lhe somássemos os votos MRPP e os nulos por voto duplo, neste e na CDU), subida excepcional no MPT, de certo modo cobrindo, numericamente, a queda do Bloco.

Leio, eu – na Atouguia e no País –, que eleitorado fiel do PSD ou não votou ou o abandonou, que este eleitorado não foi acrescer o que vota PS, que manteve o seu eleitorado ou pouco o subiu, que o eleitorado “flutuante” cresceu e que parte substancial dele, na sua procura de onde botar o seu voto de protesto que não tivesse “a foice e o martelo” (t’arrenego… por enquanto!) ou uma desilusão “bloqueada”, encontrou o dr. Marinho Pinto no caminho.

Não acabo o meu dia de cidadania (e todos o deveriam ser para todos) sem um sincero agradecimento aos companheiros Paulo Lopes, José Manuel, Nelson Batista e Alda Maria, que tão bem me ajudaram (ou eu a eles ajudei) na tarefa cidadã da mesa 1, uma saudação a todos que, em todo o País, se assumiram cidadãmente, permitindo-me fazê-lo com muito particular apreço para os que votaram CDU. A luta continua nas novas condições criadas no final deste dia de cidadania.
Sérgio Ribeiro
texto publicado no Notícias de Ourém de 29/05/2014

sábado, 24 de maio de 2014

Escolher quem nos represente foi um direito conquistado…

... e, se me permitem escrever do que sei por experiência vivida, não foi conquista fácil!
Viver em sociedade, como seres humanos que somos, implica direitos e deveres. De todos para com todos. É certo que há diferenças, que cada um de nós é único. Mas há princípios e valores que respeitam a todos. Ninguém discute alguns direitos, mas há relações sociais que, ao privilegiar os interesses individuais, por o egoísmo prevalecer sobre a solidariedade, agridem esses direitos, ou até os anulam em relação a muitos dos contemporâneos e, sem disso se ter clara consciência colectiva, também aos vindouros.

Dizer que se vive em democracia é afirmação fácil que se comprova no facto do voto, enquanto direito de todos, ter sido conquistado. Duramente, insiste-se. Para homens e mulheres.

Mas a democracia tem, como a sociedade, várias vertentes: política, económica, social, cultural. E sendo o voto necessário, como forma de se escolher quem possa representar outros, ou todos de um colectivo nas instituições (e nas colectividades, quais elas sejam), não é suficiente e exige uma questão prévia: a informação de quem escolhe relativamente a quem o vai representar, quais as suas intenções, programas, projectos. Só dessa informação pode resultar uma relação de confiança, que o “prestar de contas” permanente confirmará ou infirmará.

Não haverá eleições mais complexas que estas que se aproximam. Porque é para um órgão que nada diz aos representados, aos cidadãos que escolhem, e, do que sabem, pouco é ou é propaganda e desinformação. Porque essa escolha, para esse órgão, é de enorme importância, num mundo cada vez mais internacionalizado, nem por isso menos baseado no local, nas vivências quotidianas. De quem escolhe quem os represente.

Entre 22 e 25 de Maio, em 28 países, Estados-membros de uma dita União Europeia (de que a “trempe” que nos infernizou  a vida – e ameaça continuar – tinha dois “pés”, a Comissão e o Banco Central Europeu), um universo de mais de 500 milhões de pessoas vai escolher 751 deputados que os vão representar num Parlamento (dito) Europeu. A nós, portugueses, cabe-nos escolher 21 – já foram 25 – e será no domingo, 25.

Mas não só é para uma instituição longínqua, pouco e mal conhecida, como se desconhecem quase totalmente os candidatos. Não é como escolher os vizinhos que melhor estarão na Junta, ou os próximos que irão para a Câmara, ou os candidatos do nosso distrito que irão para a Assembleia da República. São listas nacionais, não da freguesia, do município ou da região. E para irem representar-nos em Bruxelas e Estrasburgo (ainda há uma terceira sede – administrativa e judicial –, no Luxemburgo). Por isso mesmo, a informação, as ideias, os programas, ainda seriam mais necessários para uma escolha consciente.

No entanto, essa informação é possível por via directa do conhecimento vivido (e sofrido) das políticas e estratégias que nos têm vindo da U.E., de que têm sido veículos e protagonistas os partidos que, desde os anos 80, nos têm (des)governado – PS, PSD, CDS –, “bons alunos”, mais que disciplinados, obedientes ao que uma Noruega recusou duas vezes, a Suiça não quer, o Reino Unido, a Dinamarca, a Suécia optaram por ficar de fora (da moeda única, por exemplo).

Por isso, antes de tudo, a escolha de quem nos represente tem a ver com o país que se quer numa Europa que não seja o que a U.E. pretende ser, mas uma Europa solidária e em paz. Por isso, o voto de cada um parecendo indiferente ou inútil, é uma decisão importante. Única, imprescindível.
É um dever, como sempre a contrapartida de um direito conquistado!

Sérgio Ribeiro

texto enviado para o Notícias de Ourém para ser publicado em 23/05/2014            

terça-feira, 20 de maio de 2014

Ti Alice

Ti Alice do Carvalhal ficou viúva com cinco filhos às costas e fez das tripas coração para chegar aos setenta e sete anos que agora completou. Para assinalar o feito convocou os herdeiros diretos, dispensando netos, noras e genros, e fez uma panelada de chícharos.

A mais nova, professora, anda revoltada e deprimida com o que está a acontecer nas escolas. Os irmãos acham que ela era uma privilegiada e acham muito bem que a obriguem a não gostar do que faz.
O segundo mais novo é operário e anda preocupado porque é voz corrente que a empresa vai ser deslocalizada. Os irmãos acham natural e que a culpa é dele porque estava acomodado ao dinheirinho certo ao fim do mês e nunca se esforçou por fazer outra coisa.
A do meio tem um “comes e bebes” mas a coisa vai de mal a pior porque a malta não tem dinheiro. Os irmãos sempre acharam que ela escolhera aquela vida porque não dava trabalho e que puxava nos preços quanto queria e, por isso, as suas dificuldades não os comovem.
O segundo mais velho anda na construção e anda desanimado porque a coisa vai torta. Os irmãos acham que ele quase que chegava a rico sem saber ler nem escrever e que é bom que se convença que não tem pinta para ter um mercedes cinzento.
O mais velho é criador de gado e, com o que lhe vão exigindo, vai ter de fechar a exploração. Os irmãos concordam porque não lhes agrada o cheiro que, às vezes, anda no ar e porque, além disso, ele dá medicamentos aos porcos.

- Vocês parece que se esqueceram que precisam uns dos outros! Não foi para ver isto que eu vos andei a criar! Fazem lembrar-me os do governo que atacam tudo a torto e a direito, convencidos que a única coisa que funciona bem neste país é a governação! Estais angustiados porque vos convencestes que o vosso mal era o bem dos outros e que ficaríeis bem se os outros ficassem mal!
Pois eu preciso de vós os cinco. Deixei de fazer queijos pelo facto de me exigirem azulejos e uma retrete – por que raio é que eles acham que para fazer queijos é preciso uma retrete?! - e fiquei conformada com a reforma mínima! Agora vejo que errei, devia ter lutado contra os poderosos e acomodei-me! Agora peço-vos que me ajudem, quero 50 euros de cada um como prenda de anos!... Em quem vais votar?

- Eu nunca votei!
- Eu nunca mais voto!
- Votar, para quê?
- Com o meu voto, ninguém conte!
- Eu voto na puta que os pariu!
- Puta que os pariu aos cinco! Querem ver que tem de ser a velha a votar por vocês todos! ! Quem não vota, consente! Em quarenta anos de votos nunca tive tanta vontade de votar! Vou votar sim! E desta vez vou votar na CDU! Vou votar contra os bandos de soares e de cavacos que há trinta e tal anos que nos andam a vender europa e vai a ver-se o que venderam foi o país. Vou votar porque acredito que não é com esta cambada de vaidosos “adoutorados” e “endinheirados” que se resolve a crise mas sim com aqueles que há anos que avisam o povo que quanto mais desta europa, pior deste país!...


De saída, os cinco trocaram entre si umas palavras: se a gente nem dinheiro tem para a pôr no asilo, o melhor é votar como ela diz!... 

texto que não foi publicado no Notícias de Ourém de 16/5/2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

Eleições à porta

Embora ande muita gente distraída – com o futebol, com as “saídas limpas” carregadas de falácias e mistificações mas que criam falsas esperanças, com o sol que chegou e convida a banhos do dito… nem que seja à porta de casa, com muitos etcs. – vai começar a campanha para a eleição, no dia 25 de Maio, dos deputados portugueses para o Parlamento Europeu. Entre 22 e 25 de Maio assim acontecerá nos países que são os agora Estados-membros de uma associação chamada União Europeia. E assim acontece desde 1979, sendo esta a 8ª vez que se realizam tais eleições em que os portugueses participam, escolhendo os seus representantes, desde 1989 (isto é, desde a 3ª vez). Sendo o homem as suas circunstâncias, as minhas fizeram com que tivesse sido candidato nas 3ª, 4ª, 5ª e 6ª, e sido eleito por forma a cumprir o todo ou parte desses 4 mandatos. Lembro-o como de um dever cumprido (e comprido!).

Olho esse(s) período(s) da minha vida como tempo de muita responsabilidade, de muita aprendizagem (a somar ao sempre pouco que se sabe), de muito trabalho. Lembro que reforcei a consciência da importância que essa frente de trabalho (e luta… como todas)) pode ter para todos nós. Por isso me enervo e denuncio quem não tem (ou não quer ter) essa consciência e faz, da passagem por eleito pelo povo português, um passeio (bem pago), um devaneio (para usofruto pessoal), um passo (um trampolim) numa “carreira”.

Por isso me choca e agride (sem intenção do agresssor…) ouvir aquela costumeira diatribe de “são todos iguais!”. 

Na derrapagem (que desejo controlar) de falar do que fiz, aconteceu-me que, ao ir consultar estatísticas no site oficial do Parlamento Europeu para confrontar prestações de deputados eleitos, espreitei os dados que a mim respeitam, não como Narciso se vê ao espelho mas em exercício de auto-crítica. Comecei por confirmar que, na 6ª legislatura, estive lá de 20 Julho de 2004 a 11 de Janeiro de 2005 (4 escassos meses úteis). (Tão cedo sai por ter tido a “sorte” de ter conseguido um importante relatório para os pescadores portugueses (sobretudo açoreanos), que vi aprovado apesar de forte oposição, sobretudo de espanhóis na defesa de interesses ligados à pesca de fundo e arrasto, tendo assim cumprido o compromisso para aceitar ser candidato por considerar ter justificado a minha eleição, sendo substituído por quem me seguia na lista, que estava “na calha”… até pela idade). Curiosamente, o cabeça de lista do PS para 25 de Março, que cumpriu todo o mandato – ou seja, 5 anos! – também apenas fez um relatório, fez o mesmo número de intervenções em plenário que eu (26) e fez apenas 9 perguntas parlamentares enquanto eu fiz 13!

Depois ninguém se admire que fique irritado quando ouço a tal frase dos “todos iguais”… Aliás, o João Ferreira, durante a 7ª legislatura fez só (!!!) 1854 intervenções, 57 relatórios e pareceres e 811 perguntas, e a Inês Zuber (2º nome da lista da CDU para 25 de Maio) e a Ilda Figueiredo (que a Inês foi substituir), durante o mandato que dividiram entre si, fizeram 1651 intervenções, 101 relatórios e 661 perguntas.

Cada número destes mereceria estudo e comentário. Não há tempo, nem espaço, nem (pre)disposição, tão necessários para que a escolha de quem nos represente seja fundamentada Mas esta seria a prática sadia de
democracia, que nem assim se esgotaria na vertente representativa.

Como sempre, daqui até 25 de Maio estaremos à disposição para o esclarecimento que qualquer um achar útil para melhor poder contribuir para a mudança necessária. Porque “isto” precisa de mudar! Ou não?!...

Sérgio Ribeiro
publicado no Notícias de Ourém de 9 de Maio de 2014

domingo, 4 de maio de 2014

Até quando TRABALHADOR?


Entrar às oito da manhã preparada para aguentar seis horas de pé, até que a medo pergunta:
- Posso ir almoçar? Eis que se repete a resposta:
- Quando os últimos saírem podes ir …

Abre com receio o frigorífico, nada será pior do que o que comera no dia anterior, sem espanto repete a refeição, os seus olhos quase não tem tempo para olhar a refeição de requinte a ser servida aos clientes, tem vinte minutos para engolir sem quase mastigar, hoje teve a sorte de ninguém a chamar no seu “grande” intervalo.
Copeira, empregada de sala, loja ou de limpeza, rececionista ou ainda todas numa só, ESCR….Queria dizer o nome mas é demais descritivo para quem possa estar a ler esta crónica.

Esperam-lhe mais cinco horas até que alguma voz se lembre de dizer:
-Vai lá buscá-la …mas não demores, ainda temos três grupos!
Numa corrida chega depois da hora, é convidada a assinar algo que a vai fazer pagar mais na mensalidade, olha para a pequena que lhe esboça um sorriso, mas que teima em não ir com ela, ambas não tem tido tempo de criar laços de confiança.
Num choro penoso lá vão as duas, a casa a vizinha é logo ali a frente…. Já no colo da vizinha a pequena levanta o braço para dizer adeus, algo que aprendera a fazer desde sempre.
De volta conta os trocados que lhe restam no “pobre-moedas”, as despesas aumentam, sabe que já não poderá contar com a reforma da mãe pois essa é repartida com o Estado Português.
A categoria de “economista” junta-se ao seu currículo alargado.
De avental colocado há que fazer cara feliz para não afastar a clientela, prevê-se uma noite longa, a sua saída não sabe, se for como de costume, às nove e pouco está despachadinha.

Ouve-se as dez badalas da Basílica do Santuário de Fátima, só agora recolhe a sua pequena já a dormir.
Amanha é outro dia, irão passar pelo menos mais seis até que possa gozar o seu único dia de folga semanal, pois o fim-de-semana não existe para ela, e ferias? Férias só para o próximo inverno, inverno esse que conta passar num lugar paradisíaco chamado “FUNDO DO DESEMPREGO”.

Com 485 euros mensais e mais umas esmolas por cada fim-de-semana, não deu para juntar nada para umas férias nas Caraíbas ou até mesmo aqui bem perto na Serra da Estrela!
Vai aguardar até que a sua Cidade seja inundada de peregrinos, talvez nessa altura alguém se lembre de a chamar de novo.
Esta é a realidade que já vi e ouvi de varias trabalhadoras e mães a Elas presto o meu voto de louvor.
Ate quando trabalhador? Trabalhador sim, mas com direitos…direito a outra palavra no dicionário, pois a mesma tem outro significado.

Cláudia Filipa Pinéu
in Notícias de Ourém, 2 de Maio 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

A Feira dos Produtos da Terra e por aí fora


Chegam-me ecos de que a Feira dos Produtos da Terra teve impacto, que teria sido um êxito e que se firma como iniciativa já com passado e com futuro.

As reflexões que tal me suscita são contraditórias. Por um lado, encontra-se, nessa iniciativa e sua concretização, o reflexo do que mais valorizo na sociedade, que é a capacidade (histórica, milenar) de resistir aos ataques, às agressões, de se movimentar como corpo vivo, de, na procura de satisfação das suas necessidades, encontrar formas, diria… informais, de se organizar, ou seja, de, numa terminologia que inverte e subverte o matraqueado como lugares comuns, frases feitas, “narizes de cera”, e dá pelo nome (ou expressão) de “a crise criar oportunidades”; por outro lado, e partindo deste papaguear, mas dando-lhe outro sentido, estas iniciativas podem amortecer os efeitos da crise, como são exemplos, também, as (e)migrações, tornando tolerável o que, sem essas respostas do corpo vivo que é a sociedade, seria intolerável e mais depressa levaria às inevitáveis e urgentes mudanças.

Mas é assim, e nunca se defendeu (ou nunca defendemos) posições de “quanto pior melhor” para sobre as ruinas irrecuperáveis construir o novo, como se o novo pudesse começar sem o aproveitamento do que o velho de bom vai deixando. Uma questão a que Abel Salazar chamava “totalização de experiência”. Sim, porque partilho a ideia de que a revolução não é queimar a terra, é limpá-la do que a impede de produzir, é mudar a qualidade das coisas que atingiram o seu limite de acréscimos quantitativos, é substituir, de forma radical, as relações sociais que são obstáculo à humanidade e ao seu futuro.

Acresce que, neste momento (histórico como todos, mas uns mais que outros…), o economista que sou tem de estar atento à deflação, isto é, em vez da ilusão monetária que fazia os rendimentos das gentes correrem atrás dos preços sempre a subir, da inflação, o ataque brutal a esses rendimentos tem de ser compensado, como num sistema cibernético (demasiado frio/aquecimento, demasiado calor/refrigeração), com alguns preços em baixa para que as necessidades básicas permitam a sobrevivência. Em condições precárias porque se destroem serviços públicos como os relativos à saúde e à educação antes de todos – vivendo com menos qualidade, morrendo mais cedo, aprendendo menos da vida e da história, acumulando saber seleccionado e apenas orientado para o serviço da acumulação de capital nas mãos de poucos –, aos transportes, ao ambiente, ao viver em sociedade com direitos e deveres, de tudo se fazendo negócio, fazendo do negócio o único meio e do mercado o único juiz.

Pagam-se mais impostos, desconta-se mais nos salários para melhoria das funções e tarefas que ao Estado competem? Não! Para que quem explora o que é de todos (e, antes de tudo, o trabalho) o continue a fazer, para que a especulação remende os desastres que provocou sem qualquer peso, conta ou medida e prossiga na mesma senda, sem que sequer se penalizem os que evidentemente agrediram a (sua) lei e que, com migalhas do resultado desses crimes paguem advogados e expedientes legais que os tornem impunes.

Esta União Europeia, que prometido foi que faria correr rios de mel para todos, vai concentrando o que é doce só em alguns (países e sobretudo estratos sociais), e deixando mais fel para… os outros (países e sobretudo camadas sociais). Claro que estas dinâmicas, servidas por estas estratégias, são insustentáveis a prazo. Mas que se importam eles, dizia Keynes, se a longo prazo todos estaremos mortos, e há quem se encarregue de, por menor acesso ao que é conquista de todos, ou por uso e usofruto da mercadoria privilegiada que são as armas, encurte os prazos em que a maioria poderia viver com qualidade humana.


Ao que me trouxe a Feira dos Produtos da Terra! À esperança que cresce enquanto a raiva se multiplica, como diria o/um poeta.     

Sérgio Ribeiro
in Notícias de Ourém, 11 de Abril 2014